Black Lives Matter: O Movimento Contra o Racismo Estrutural

Em 2013, o julgamento de George Zimmerman, americano acusado e inocentado pelo assassinato do jovem negro Trayvon Martin, trouxe uma série de repercussões. Dentre elas, uma publicação na rede social Facebook ganhou a atenção de diversas pessoas no mundo. Publicada por Alicia Garza, a postagem continha um texto expondo sua indignação e luto pelo ocorrido no tribunal americano. Entre suas palavras, a expressão “black lives matter”, que traduzida para o português significa “vidas negras importam”, chamou a atenção de Patrice Cullors, uma amiga de Garza, que logo escreveu uma resposta ao texto utilizando a expressão como uma hashtag: “#blacklivesmatter”. Após a popularização da hashtag no Facebook e no Twitter, Garza e Cullors, juntamente com a ativista e também amiga Opal Tometi, desenvolveram uma rede nomeada Black Lives Matter, que foi prontamente utilizada em diversos protestos pelos Estados Unidos e tomou espaço também em outros países, incluindo o Brasil.

O movimento BLM, como também é chamado nas redes, se mostra importante na organização de protestos que denunciam a morte de pessoas negras por policiais, se posicionando contra a discriminação e desigualdade racial a nível global. 

Figura 1: Protestantes em movimento do Black Lives Matter

Fonte: Scott Heins via AFP, 2020.

Um dos casos mais emblemáticos protestados pelo movimento BLM foi a morte de George Floyd, homem negro e norte-americano assassinado por um policial branco na cidade de Minneapolis, nos Estados Unidos, em 25 de maio de 2020. Durante uma ocorrência em uma loja de conveniência, Floyd foi acusado de usar uma nota falsa de 20 dólares e foi detido por policiais, dentre eles, Derek Chauvin, que tentou o empurrar para a viatura e acabou imobilizando-o no chão. Durante a detenção, gravada e publicada nas redes por pessoas que presenciaram o ocorrido, Chauvin pressionou o joelho contra o pescoço de George por aproximadamente 9 minutos, enquanto ele dizia repetidamente “não consigo respirar”. Após parar de se mexer, os policiais chamaram uma ambulância que o levou do local. Pouco tempo depois, ele foi declarado morto. O ex-policial Derek Chauvin foi considerado culpado por todas as acusações contra ele no caso, sendo condenado a 22 anos e meio de prisão.

Figura 2: Imagem de Derek Chauvin com o joelho contra o pescoço de George Floyd.

Fonte: Darnella Frazier via Facebook, 2020.

No Brasil, o BLM é evidenciado na luta contra a recorrente e desmedida violência policial que prejudica a população negra no país. Dentre diversas histórias, há o falecimento do adolescente João Pedro Mattos Pinto, que foi baleado pelas costas enquanto brincava dentro de casa durante uma operação policial em São Gonçalo, em 2020, representando um triste símbolo da intervenção violenta por parte das autoridades, o que torna ainda mais necessária a luta e o clamor por justiça nacional.   

Figura 3: Família de João Pedro em protesto contra a morte do rapaz.

Fonte: Tomaz Silva via Agência Brasil, 2024.

O racismo no Brasil, assim como no resto do mundo, vem de muito tempo, começando no período da escravidão e sendo até hoje evidenciado nas desigualdades que alcançam a população negra. Os protestos no Brasil expressam não só a revolta contra o racismo presente nas instituições, mas também a conexão com movimentos de resistência pelo mundo. As manifestações pedem o fim da violência policial e que as autoridades sejam mais responsabilizadas, mostrando que a luta contra o racismo é uma questão de interesse global. 

O movimento Black Lives Matter colocou em destaque a importância de combater o racismo estrutural e a violência policial. Mais do que um movimento isolado, ele se tornou um símbolo de resistência e de busca por igualdade. As adversidades levantadas pelo BLM não estão restritas a um só país, elas nos fazem refletir sobre como as sociedades ao redor do mundo podem progredir na luta por justiça e igualdade racial, promovendo mudanças que assegurem direitos e dignidade para todos. 

 

Referências Bibliográficas

ALVEZ, Raoni. Após 4 anos da morte do jovem João Pedro, família aguarda Justiça decidir se policiais réus vão a júri popular. G1, 25 de mai. 2024. Disponível em: <https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2024/05/25/apos-4-anos-da-morte-do-jovem-joao-pedro-familia-aguarda-justica-decidir-se-policiais-reus-vao-a-juri-popular.ghtml>. Acesso em: 14 de out. 2024.

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COMO três mulheres criaram o movimento global Black Lives Matter a partir de uma hashtag. G1, 20 de dez. 2020. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/12/20/como-tres-mulheres-criaram-o-movimento-global-black-lives-matter-a-partir-de-uma-hashtag.ghtml>. Acesso em: 14 de out. 2024.

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THERESO, Priscila. Caso João Pedro: familiares protestam contra absolvição de policiais. Agência Brasil, 11 de jul. 2024. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/justica/audio/2024-07/caso-joao-pedro-familiares-protestam-contra-absolvicao-de-policiais>. Acesso em: 14 out. 2024.